As principais movimentações do comércio exterior, logística internacional e operação aduaneira comentadas pela Freitas.
O que movimentou o comércio exterior em junho e início de julho
Junho foi um mês de forte atividade para o comércio exterior brasileiro, com recordes na balança comercial, expansão da corrente de comércio e sinais de continuidade na demanda internacional por produtos brasileiros. No início de julho, o mercado também foi marcado por negociações comerciais sensíveis com os Estados Unidos e pela divulgação antecipada dos dados mensais de junho, o que reforça a importância de acompanhar não apenas os números, mas o ambiente regulatório e diplomático que influencia as operações.
Nesta edição do Freitas News, reunimos os principais acontecimentos do período e os pontos de atenção para quem importa, exporta ou depende de previsibilidade logística.
Panorama do mês
Junho consolidou um cenário de comércio exterior aquecido, com exportações de US$ 36,3 bilhões, importações de US$ 26,5 bilhões, corrente de comércio de US$ 62,8 bilhões e superávit de US$ 9,8 bilhões, todos recordes para o mês. No acumulado do primeiro semestre, o saldo comercial também avançou, chegando a US$ 42,4 bilhões, o que reforça o ritmo forte das operações e a necessidade de atenção redobrada a prazos, documentação e capacidade logística.
(Fontes: https://exame.com/economia/balanca-comercial-do-brasil-registra-superavit-de-us-97-bilhoes-em-junho/; https://www.gov.br/mdic/pt-br/assuntos/comercio-exterior/estatisticas)
No ambiente internacional, a relação comercial com os Estados Unidos voltou ao centro das atenções após a retomada do crescimento das exportações brasileiras para o mercado norte-americano em junho e a abertura de novas rodadas de negociação antes de decisões tarifárias relevantes em julho. Para importadores e exportadores, o mês deixa uma leitura objetiva: quando a atividade acelera e o cenário externo fica mais sensível, a operação precisa de mais controle, mais leitura de risco e mais capacidade de reação.
Ao mesmo tempo, a DUIMP segue avançando em junho com ajustes práticos de operação. A Anvisa publicou a versão 1.9 do Manual de Importação por DUIMP, reforçando a importância do correto preenchimento de atributos e deixando claro que o deferimento da taxa não se confunde com o deferimento da anuência sanitária. Na prática, isso mostra que a migração para o novo modelo não é apenas uma troca de sistema, mas um movimento de maior integração, rastreabilidade e exigência de qualidade dos dados
(Fonte: https://www.gov.br/siscomex/pt-br/programa-portal-unico/cronograma-de-ligamento-duimp)
Notícias do mês
Exportações aos EUA voltam a crescer
Em junho, as exportações brasileiras para os Estados Unidos cresceram 3,7% em valor pela primeira vez desde julho de 2025, ainda que o volume embarcado tenha caído 6,6%. O movimento sugere um cenário em que preços sustentam parte do resultado, enquanto o volume ainda sente os efeitos de um ambiente comercial mais pressionado.
Na prática, isso reforça a importância de acompanhar não só o faturamento, mas também o comportamento de preços, demanda e política comercial, especialmente em operações com maior exposição ao mercado norte-americano.
Junho trouxe avanço no Portal Único e na DUIMP
No dia 12 de junho, o Brasil foi destaque na OMC pelos avanços no Portal Único de Comércio Exterior, em especial pela redução de burocracia, custos e prazos para exportadores e importadores. No mesmo mês, a Anvisa atualizou o Manual da DUIMP para a versão 1.9, reforçando critérios de preenchimento e a importância da correta qualificação dos atributos regulatórios nas operações sujeitas à anuência sanitária.
Estratégia industrial e competitividade ganham espaço
Em junho, o MDIC lançou a Agenda Brasil Mais Competitivo com 24 projetos voltados à melhoria do ambiente de negócios, produtividade e competitividade. Embora não seja uma notícia exclusivamente aduaneira, a iniciativa ajuda a contextualizar um movimento mais amplo de modernização da atividade econômica e redução de custos estruturais para empresas que operam no comércio exterior.
Para o comex, esse tipo de agenda costuma ter impacto indireto, mas relevante, porque competitividade também depende de processo, eficiência e previsibilidade regulatória.
Indicadores do mês
| Indicador | Dado de junho/ julho | Leitura para o comex |
| Dólar comercial | Fechou junho em torno de R$ 5,16, com alta de 2,38% no mês | Volatilidade cambial impacta formação de preço, hedge, landed cost e margem. |
| Balança comercial no 1º semestre | Superávit de US$ 42,4 bilhões | O resultado reforça um ambiente externo favorável, mas exige controle de fluxo e caixa. |
| Exportações no 1º semestre | US$ 184,8 bilhões, alta de 11,5% na média por dia útil | O ritmo forte pressiona capacidade operacional, planejamento e logística. |
| Importações no 1º semestre | US$ 142,4 bilhões, alta de 5,1% na média por dia útil | A demanda por insumos, componentes e bens de capital segue aquecida. |
| Exportações aos EUA | US$ 3,47 bilhões em junho, alta de 3,7% no ano | O dado reforça o peso do mercado americano e o efeito de preço sobre o resultado. |
| China como principal destino | US$ 12,2 bilhões em junho | A concentração em poucos destinos reforça a importância da diversificação comercial. |
*Dados atualizados até o início de julho de 2026, conforme divulgação pública disponível.
Leitura de mercado por setor
O resultado de junho mostra um comércio exterior ainda muito concentrado em alguns vetores de força, com impacto direto na dinâmica dos embarques e na demanda por capacidade logística. A indústria extrativa liderou o avanço das exportações no mês, puxada principalmente por petróleo bruto e minério de ferro, enquanto a agropecuária e a indústria de transformação também registraram crescimento relevante.
Do lado das importações, o aumento veio sobretudo de bens intermediários, bens de consumo e combustíveis, o que indica manutenção da atividade produtiva e da demanda interna em um patamar consistente. Na prática, esse desenho reforça a importância de acompanhar o comex não apenas pelo saldo final, mas pela composição do fluxo: quando exportação e importação crescem ao mesmo tempo, a disputa por frete, janela de embarque, armazenagem e previsibilidade documental tende a ficar mais sensível.
Para as empresas, a leitura é clara: os números mostram um mercado aquecido, mas também mais exigente. Quem acompanha a origem do crescimento por setor consegue enxergar melhor onde estão as oportunidades, quais cadeias estão mais pressionadas e onde o planejamento operacional precisa ser mais fino.
O comércio exterior muda todos os meses, e cada mudança pode impactar custos, prazos, documentação, compliance e competitividade. Por isso, mais do que acompanhar notícias, é preciso interpretar o que elas significam para a operação.
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