Tarifaço dos EUA entra em vigor, mas balança comercial de julho segue no azul
Julho foi marcado pelo capítulo mais concreto do tarifaço americano até aqui: as sobretaxas adicionais de 25% e 12,5% anunciadas pelos Estados Unidos passaram a valer para parte das exportações brasileiras, ainda que o mês tenha fechado com superávit comercial e um primeiro semestre recorde no acumulado do ano. Ao mesmo tempo, a DUIMP avançou mais uma etapa do cronograma, com a entrada em produção do modal Terrestre, e o dólar fechou o mês em queda, aliviando parte do custo dos insumos importados.
Nesta edição do Freitas News, reunimos os principais acontecimentos do período e os pontos de atenção para quem importa, exporta ou depende de previsibilidade logística.
Panorama do mês
Julho fechou com exportações de US$ 34,1 bilhões, importações de US$ 27,1 bilhões, corrente de comércio de US$ 61,17 bilhões e superávit de US$ 7,07 bilhões — resultado 1% acima de julho de 2025, mas abaixo da mediana de mercado, que projetava algo entre US$ 7,2 bilhões e US$ 8,9 bilhões. No acumulado de janeiro a julho, o superávit chegou a US$ 49 bilhões, alta de 31,9% em relação ao mesmo período de 2025, com exportações de US$ 218,6 bilhões (+10,5%) e importações de US$ 169,5 bilhões (+5,5%).
(Fontes: https://www.gov.br/mdic/pt-br/assuntos/noticias/2026-periodo-eleitoral/agosto/mdic-divulga-os-dados-consolidados-da-balanca-comercial-de-julho-de-2026; https://balanca.economia.gov.br/balanca/pg_principal_bc/principais_resultados.html; https://www.infomoney.com.br/economia/balanca-comercial-tem-superavit-de-us-707-bi-em-julho-e-us-49039-bi-no-ano/)
No cenário internacional, o mês foi dominado pelo avanço do tarifaço dos Estados Unidos. O governo americano confirmou duas sobretaxas adicionais sobre produtos brasileiros: 25%, com base em investigação específica sobre práticas comerciais do Brasil, e 12,5%, associada a uma investigação mais ampla sobre trabalho forçado em cadeias de suprimento, aplicada a 41 países. As medidas passaram a valer em 22 de julho, mas cargas já embarcadas com destino aos EUA antes dessa data ficaram isentas, desde que chegassem ao território americano até 29 de julho, data em que a tarifa passou a valer em sua totalidade, segundo o MDIC. Para quem exporta para os Estados Unidos, o mês deixa uma leitura direta: o efeito do tarifaço nos volumes e receitas ainda não apareceu por completo nos números fechados de julho e deve ficar mais claro nos dados de agosto.
A DUIMP também avançou em julho, com a entrada em produção do modal Terrestre no dia 12, conforme o cronograma do Portal Único Siscomex. A partir de outubro, a expansão segue para novos regimes especiais e cargas com tratamento administrativo específico nos modais Marítimo, Aéreo e Terrestre, e em 1º de dezembro começa o desligamento definitivo da DI para o modal terrestre e as submodalidades rodoviário e ferroviário.
Na prática, a mensagem para quem opera nesses modais segue a mesma: quanto antes a operação se adaptar ao novo modelo, menor o risco de bloqueio ou atraso quando a obrigatoriedade chegar.
(Fonte: https://www.gov.br/siscomex/pt-br/programa-portal-unico/cronograma-de-ligamento-duimp)
Notícias do mês
Governo lança plano de apoio aos setores atingidos pelo tarifaço
Diante da sobretaxa de 25%, o governo brasileiro anunciou um plano de socorro para os setores mais afetados. Segundo a Secex, cerca de 2,4 mil empresas são diretamente atingidas pela medida, respondendo por aproximadamente 18% das exportações brasileiras aos Estados Unidos, o equivalente a US$ 7,4 bilhões em transações, na comparação com 2024. Como resposta, o governo atualizou o Plano Brasil Soberano (MP 1.345/2026), com linhas de crédito do BNDES para o setor produtivo, além de iniciar os trâmites para aplicar a Lei de Reciprocidade Econômica e acionar o mecanismo de solução de controvérsias da OMC. Mais da metade da pauta de exportações do Brasil aos EUA, incluindo carnes, café, óleos e itens de aviação, ficou de fora da taxação.
USTR amplia lista de isenções e retira mais de 2,1 mil produtos da sobretaxa
Antes de a tarifa entrar em vigor, o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) publicou a versão final da medida, excluindo mais de 2.100 produtos da sobretaxa de 25% após revisar contribuições apresentadas em audiências públicas no início de julho. As isenções abrangem sete grandes grupos, entre eles produtos de origem animal, alimentos, minerais e combustíveis, produtos médicos e farmacêuticos, materiais industriais, metais e máquinas, e aeronaves e instrumentos. Para quem opera com os EUA, vale revisar a classificação fiscal de cada produto antes de assumir que ele está automaticamente sujeito à sobretaxa.
(Fonte: https://forbes.com.br/geral/2026/07/eua-isencoes-tarifa-25-produtos-brasileiros-lista-2/)
MDIC: queda das exportações aos EUA em julho ainda não reflete o tarifaço
As exportações brasileiras para os Estados Unidos caíram 5% em julho na comparação anual. Segundo a Agência Brasil, o MDIC esclareceu que esse recuo ainda não abrange os efeitos do novo tarifaço do governo norte-americano, que só começou a valer em 22 de julho e passou a valer integralmente em 29 de julho, o impacto sobre as vendas deve aparecer nos dados de agosto, a serem divulgados no início de setembro.
Dólar fecha julho em queda e alivia custo de importação
O dólar comercial encerrou julho cotado a R$ 5,069, com queda de 1,82% no mês e recuo acumulado de 7,73% no ano — resultado puxado pelos juros altos no Brasil, que sustentam operações de carry trade, e pela alta do petróleo, que beneficia o Brasil como exportador da commodity. Para quem importa, o câmbio mais baixo tende a aliviar o custo de aquisição em dólar; para quem exporta, o mesmo movimento reduz a receita convertida em reais, um equilíbrio que reforça a importância de acompanhar o câmbio na formação de preço e no planejamento de hedge.
Indicadores do mês
| Indicador | Dado de julho/2026 | Leitura para o comex |
| Dólar comercial | Fechou julho em R$ 5,069, queda de 1,82% no mês e de 7,73% no ano | Câmbio mais baixo alivia o custo de insumos e produtos importados, mas reduz a receita em reais de quem exporta |
| Balança comercial de julho | Superávit de US$ 7,07 bilhões | Resultado positivo, mas abaixo da mediana de mercado (US$ 8,1 bi), sinal de desaceleração no ritmo |
| Balança comercial no acumulado de 2026 | Superávit de US$ 49 bilhões (jan.–jul.), alta de 31,9% | Ambiente externo segue favorável, mas exige controle redobrado de fluxo, caixa e risco cambial |
| Exportações no acumulado do ano | US$ 218,6 bilhões, alta de 10,5% | Ritmo forte segue pressionando capacidade portuária, logística e prazos de embarque |
| Importações no acumulado do ano | US$ 169,5 bilhões, alta de 5,5% | Demanda por insumos, componentes e bens de capital permanece aquecida |
| Exportações aos EUA | 10,7% do total exportado em julho; queda de 5% na comparação anual | Reforça a importância de diversificar mercados diante do novo cenário tarifário |
| China como principal destino | US$ 10,7 bilhões em julho, cerca de 1/3 das exportações | Concentração no mercado chinês segue crescendo em meio às tensões comerciais com os EUA |
Dados atualizados até o início de agosto de 2026, conforme divulgação pública disponível.
Leitura de mercado por setor
O resultado de julho reforça um comércio exterior que segue aquecido, mas agora soma um fator de risco extra: o tarifaço dos Estados Unidos. Setores como aço, alumínio, têxteis, calçados, móveis e etanol seguem sobretaxados, enquanto café, carne bovina, petróleo, celulose e aeronaves civis permanecem isentos, o que reforça que o impacto da medida é setorial, não generalizado.
Para as 2,4 mil empresas diretamente afetadas, a leitura é: revisar classificação fiscal, mapear exposição ao mercado americano e avaliar mercados alternativos deixou de ser um exercício estratégico de longo prazo para virar uma prioridade operacional imediata.
Ao mesmo tempo, o avanço da DUIMP para o modal Terrestre e a manutenção do câmbio em patamar mais baixo reforçam que, além do cenário externo, a operação segue exigindo atenção redobrada aos prazos, à documentação e à qualidade dos dados prestados. O comércio exterior muda todos os meses, e cada mudança pode impactar custos, prazos, documentação, compliance e competitividade. Por isso, mais do que acompanhar notícias, é preciso interpretar o que elas significam para a operação.
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