Data de corte: 15 de outubro de 2026. Esta edição cobre os dados e fatos divulgados publicamente até esta data. Movimentações posteriores entram na próxima edição.
Nesta edição
Os três destaques do período:
- Superávit de setembro mais que dobra. A balança comercial fechou o mês com saldo positivo de US$ 7,74 bilhões, 146% acima de setembro de 2025, puxada por petróleo, soja, combustíveis e minérios.
- Brasil e EUA abrem canal direto de negociação. Os dois países criaram um grupo de trabalho específico para discutir o tarifaço, embora a sobretaxa continue em vigor e sem acordo fechado.
- DUIMP avança e novas regras entram para quem importa. O cronograma de desligamento da DI segue por etapas, a Suframa passa a aceitar registro via DUIMP e há nova exigência de LPCO para mercúrio metálico.
Para quem importa
Três mudanças regulatórias merecem atenção de quem opera importação neste mês.
Reta final da DUIMP: desligamento da DI avança por etapas até dezembro
A DUIMP segue avançando no cronograma do Portal Único Siscomex e o desligamento da DI entra na reta final. Ao longo de outubro, a transição se estende a novos regimes especiais e a operações com tratamento administrativo específico e anuência de órgãos reguladores.
As próximas etapas estão marcadas para 1º e 10 de dezembro e não se resumem a um único modal: o cronograma oficial organiza o desligamento por tipos de operação, regimes e exceções, abrangendo os modais marítimo, aéreo, terrestre e ferroviário.
Por isso, mais do que olhar uma data única, cada importador deve verificar no cronograma e no simulador oficiais em que etapa cada operação da sua carteira se enquadra, para adaptar os sistemas antes da obrigatoriedade e reduzir o risco de bloqueio ou atraso.
(Fonte: https://www.gov.br/siscomex/pt-br/programa-portal-unico/cronograma-de-ligamento-duimp)
Suframa passa a aceitar DUIMP
A partir da última terça-feira, 13 de outubro de 2026, as importações de produtos sujeitos à anuência prévia da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) já podem ser registradas por meio da DUIMP, conforme comunicado oficial do Portal Único Siscomex.
Com isso, a Suframa adere ao Novo Processo de Importação, um avanço relevante para quem opera com a Zona Franca de Manaus, Áreas de Livre Comércio e Amazônia Ocidental.
Novo LPCO para mercúrio metálico
O Portal Único Siscomex publicou alteração que passa a exigir LPCO (Licença, Permissão, Certificado ou Outro documento) para a importação de mercúrio metálico, com vigência a partir de 26 de outubro de 2026.
Na prática, quem importa esse produto precisa registrar o LPCO correspondente, com anuência do órgão ambiental, antes de dar seguimento à operação. Sem ele, há risco de bloqueio no desembaraço.
A medida se insere no controle mais rígido que o Brasil vem aplicando ao mercúrio, substância de uso sensível e forte impacto ambiental, no âmbito dos compromissos da Convenção de Minamata e do combate ao uso ilegal em garimpos.
Para o importador, o recado é operacional: mapear se algum item da sua pauta se enquadra na exigência e organizar a documentação com antecedência, evitando parar a carga na chegada.
Para quem exporta
Setembro combinou números fortes com movimento na mesa de negociação, mas também acendeu alertas de concentração de destinos.
Balança comercial: superávit de setembro mais que dobra
Setembro fechou com exportações de US$ 34,42 bilhões, importações de US$ 26,68 bilhões e superávit de US$ 7,74 bilhões: 146% acima de setembro de 2025 e o segundo melhor resultado para o mês na série histórica, atrás apenas de 2023.
No acumulado de janeiro a setembro, o superávit chegou a US$ 62,4 bilhões (+34,8%), com exportações de US$ 284,65 bilhões (+10,4%) e importações de US$ 222,26 bilhões (+5,0%).
(Fontes: https://www.comprerural.com/balanca-comercial-tem-superavit-em-setembro-de-us-7741-bilhoes/; https://bpmoney.com.br/economia/balanca-comercial-superavit-62396-bi-2026-setembro/; https://euqueroinvestir.com/economia/balanca-comercial-tem-superavit-de-us-774-bi-em-setembro-com-exportacoes-em-alta)
Tarifas dos EUA: verifique a alíquota efetiva por produto
A sobretaxa adicional de 25% com base na Seção 301 segue em vigor desde julho, mas é uma das medidas, e não a tarifa total aplicável a todos os produtos. As cobranças variam por produto e podem envolver outras medidas, alíquotas e exceções.
Petróleo, minérios, soja e combustíveis puxaram o resultado do mês e boa parte deles permanece fora da taxação, enquanto segmentos como aço, alumínio, têxteis, calçados e móveis seguem pressionados. Antes de precificar ou embarcar, a orientação mais segura é confirmar a alíquota efetiva pela classificação fiscal (NCM) e pelo produto específico.
Apesar da sobretaxa, as vendas aos Estados Unidos subiram 31,9% em setembro na comparação anual – um sinal de resiliência, que não reduz a importância de revisar a exposição e diversificar mercados.
(Fontes: https://ohoje.com/2026/09/30/tarifaco-eua-devem-apresentar-proposta-ao-brasil-nas-proximas-semanas/; https://mais.opovo.com.br/jornal/farol/2026/10/01/brasil-e-eua-criam-grupo-especifico-para-negociar-tarifaco.html)
China: recuo acende alerta de concentração
Na contramão, as exportações para a China caíram 7,6% em setembro ante o mesmo mês de 2025. Como a China é o principal destino do Brasil, qualquer oscilação pesa no resultado. Combinada com o tarifaço americano, reforça a lógica de abrir e consolidar mercados alternativos.
Vale registrar que, em 27 de setembro, a China ampliou o acesso da carne suína brasileira (músculo suíno congelado, banha não refinada e mais coprodutos), o que pode representar, segundo a ABPA, mais de 100 mil toneladas e receita acima de US$ 100 milhões por ano.
(Fontes: https://www.dgabc.com.br/Noticia/4351280/exportacoes-brasileiras-para-a-china-caem-7-6-em-setembro-ante-igual-mes-de-2025; https://www.canalrural.com.br/aves-e-suinos/china-abre-mercado-para-miudos-suinos-do-brasil/)
Mercosul–União Europeia: o acordo começa a aparecer nos números
Em vigência provisória desde 1º de maio, o acordo já aparece como um dos motores das exportações brasileiras. Segundo o governo, as vendas do Brasil à UE cresceram 30,7% entre maio e setembro ante igual período do ano anterior. Leitura ainda recente, a ser confirmada à medida que os dados de balança se consolidam.
Do lado europeu, o acordo eliminou de imediato tarifas para mais de 5 mil produtos; do lado do Mercosul, a desgravação é gradual, o que mantém os próximos degraus de redução no radar de quem ainda não capturou todo o benefício.
(Fontes: https://valorinternational.globo.com/google/amp/foreign-affairs/news/2026/10/14/mercosur-eu-trade-deal-boosts-brazilian-exports-by-307percent.ghtml; https://www.cnnbrasil.com.br/economia/money/macroeconomia/acordo-mercosul-ue-entra-em-vigor-de-forma-provisoria-nesta-sexta-1o/)
Da notícia à ação
Resumimos, tema a tema, quem sente o impacto e qual o próximo passo mais seguro.
| Tema | Quem é impactado | Ação prática |
|---|---|---|
| Desligamento escalonado da DI (DUIMP) | Importadores em todos os modais, com atenção a terrestre, meios próprios, carga projeto, energia e Depósito Especial | Mapear cada operação da carteira no cronograma e no simulador oficiais e adequar sistemas antes da data do respectivo grupo, evitando fila de última hora |
| Suframa aceita DUIMP (13/10) | Quem importa com destino à ZFM, Áreas de Livre Comércio e Amazônia Ocidental | Avaliar o registro via DUIMP e ajustar o fluxo interno e o ERP para a nova forma de anuência |
| Novo LPCO para mercúrio metálico (26/10) | Importadores de mercúrio metálico | Providenciar o LPCO antes de embarcar; sem ele, há risco de bloqueio no desembaraço |
| Tarifas dos EUA | Exportadores para os EUA, sobretudo aço, alumínio, têxteis, calçados e móveis | Confirmar a alíquota efetiva por NCM e produto antes de precificar ou embarcar; revisar exposição e avaliar mercados alternativos |
| Recuo das exportações à China | Exportadores com forte concentração no mercado chinês | Diversificar destinos e avaliar novas janelas, como a ampliação do acesso da carne suína |
| Acordo Mercosul–UE | Exportadores com potencial de venda à União Europeia | Verificar os produtos já desgravados e acompanhar o cronograma de redução gradual para capturar o benefício |
| Câmbio em torno de R$ 5,21 | Exportadores (receita em reais) e importadores (custo de insumos) | Acompanhar o câmbio na formação de preço e avaliar hedge no planejamento |
Fale com a Freitas
O comércio exterior muda todos os meses, e cada mudança pode impactar custos, prazos, documentação, compliance e competitividade. Mais do que acompanhar as notícias, é preciso interpretar o que elas significam para a sua operação.
Tem uma operação em andamento ou uma dúvida sobre algum dos temas desta edição? Fale com o time da Freitas. Avaliamos o seu caso específico e indicamos o caminho mais seguro para embarcar, precificar e manter a operação em conformidade.
Acompanhe as próximas edições do Freitas News para receber, todo mês, a curadoria dos principais movimentos do comércio exterior.


